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sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Balada da Balada Abalada



Devora-me um pavor medonho
Se sinto amores reais:
Sentir, por si só, é enfadonho
Estranho e um tanto mordaz!
Dói-me amar assim, por demais,
Um objeto de distração
Que me faz desejar, tenaz,
Calar a voz do coração.

Não mais ao amor me disponho
E suas promessas carnais:
O desejo é o que suponho
E não o ter, o que me apraz.
Cansa-me suspirar os ais
Que me esfacelam a emoção;
Devo, para encontrar paz,
Calar a voz do coração.

Amo, hoje, em pensamento ou sonho,
Para além disto nada mais...
E este amor, que à mente proponho,
É o que me basta e satisfaz.
Supor amores ideais,
Forjá-los, pois, pela razão
Não me fazem querer, voraz,
Calar a voz do coração.

Crer em mim? Não posso jamais,
Mas convém crer na ilusão
De que a mente possa, eficaz,
Calar a voz do coração. 


08/06/2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Balada do Adágio Alegre

Se o dinheiro não vai às compras
Aluga ou ordena buscar,
Seja de Falópio as trompas
Ou à velhice retardar!
Dizem: "Não traz felicidade!"
Mas até ela pode levar.
Não importa a dificuldade:
Tarda, mas não falha chegar!

Que alegria não traz o pão
A quem nem o pode comprar?
Duas passagens de avião
Para uma vontade matar?
Para que ter na mão uma ave,
Se não há gaiola a botar?
Para o dinheiro nada é grave:
Tarda, mas não falha chegar!

Se atrai para si o impossível
Que dirá o que pode mudar:
O carater mais inflexível
Possui forças para dobrar.
Faz, do maltrapilho sem teto,
Bem quisto, vestido, com lar;
Faz do imperfeito mais completo...
Tarda, mas no falha chegar!

É a chave do mundo moderno:
Qualquer tranca vai aceitar!
- Se aceita no céu ou inferno?
Tarda, mas não falha chegar!

06/06/2012

domingo, 27 de maio de 2012

Balada das Variações Invariáveis



De cabelos bem penteados
E prontos para a ocasião,
Com ternos caros, importados,
Ele vai à televisão.
De um lado promete milagre
Até as vésperas da eleição;
Mas, qual vinho, vira vinagre
Quando eleito pelo povão!

Pois o crime só não vale a pena
Para você nem para mim:
Somos todos "gente pequena"
Diante da corja sem fim!

Na frente do povo não mostra
A terceira mão escondida,
À que furta, rouba e não prostra:
Verdadeira face escondida!
Há políticos milionários
Que quase nunca vão à lida
Fazem da nação operários
Da Pátria Mãe Prostituída!

Pois o crime só não vale a pena
Para você ou para mim:
Somos todos "gente pequena"
Diante da corja sem fim!

Mais de mil colarinhos brancos
Permanecem fora das grades;
Engordam contas em seus bancos,
Tiram manchas de suas fraudes!
Se a Justiça não fosse cega
Nem se lhe faltasse vontade,
Seria rápida - não trôpega! -
Perseguiria-os de verdade!

Pois o crime só não vale a pena
Para você ou para mim:
Somos todos "gente pequena"
Diante da corja sem fim!

24/05/2012


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Balada dos Esclarecimentos



Moro no Brasil, aqui é o paraíso:
Bandidos e ladrões não levam prejuízos!
O cristo vos espera de braços abertos,
Mas só abraça os corruptos e os espertos!
Aqui o crime não prospera nem compensa,
A não ser que se molhe a mão da imprensa!
- O povo aguarda pelos que já falharam...
-Pois é... não contaram? Os bárbaros ganharam!!!

Honestos combatem crimes organizados:
Ironia é ficarem sem aliados!
A justiça age com rigor, desenfreada:
Juíza que condena é logo baleada!
Governo pio, justo, oferece proteção:
Ela pediu. Escreveu. Disseram-lhe: - Não!
- E o povo 'inda aguarda os que já falharam...
- Pois é... não contaram? Os bárbaros ganharam!!!

O país se renova ano após ano
Varrendo a corrupção para baixo do pano!
A pátria é mais, muito mais, que mãe gentil:
Gerou mais partidos que os putos que a pariu!
Cada sigla promete ajudar o povo:
Sempre furtando-o... sempre de um jeito novo!
- E o povo 'inda aguarda os que já falharam?
- Pois é... não contaram? Os bárbaros ganharam!!!

Moro no Brasil, aqui tudo é normal,
Mas politico honesto é falha moral!
- Mas e o povo? Não foram eles quem votaram?
- Pois é... não contaram? Os bárbaros ganharam!!!


19/08/11


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Balada das Divergências Sociais



Das peças de teatro à TV
O conteúdo some e ninguém vê!
Da carroça ao carro ao avião:
Modos modernos de poluição!
Bandidos, traficantes e milícias
Estão mais armados que a polícia!
O povo tem aquilo que merece:
Cedo ou tarde a ordem padece!

A criança que hoje pede esmola
Amanhã estará cheirando cola!
Jogadores de futebol iletrados
Ganham mais do que médicos formados!
O diploma é a melhor vantagem,
Pois evita a pena e a carceragem!
O povo tem aquilo que merece:
Cedo ou tarde a ordem padece!

No congresso os pilares são de aço,
Tem picadeiro e muitos palhaços!
O sindicato berra, não se omite:
Mafiosos taxando o holerite!
A igreja é o lar da família
Ou seria altar da pedofilia?
O povo tem aquilo que merece:
Cedo ou tarde a ordem padece!

Nós elegemos nosso mensageiro:
Cremos no Jeitinho Brasileiro!
O povo tem aquilo que merece:
Cedo ou tarde a ordem padece!


05/08/11