Abril,
Abril...
Abre-se em mim,
Como um rasgo no peito:
Mãos, senhoras de garras,
Que me fincam as unhas à carne,
Que me abrem o peito,
Irrompem-me os ossos,
Estraçalham-me a carne,
Vasculham-me o interior
E não encontram-me em meu coração...
Abril,
Abril...
Abre-se em mim
Todas as coisas que se fecharam ao mundo:
Tanto de tudo de tantos e de todos...
E solto-me: de todos os laços e prendas
De amarras e amarantos;
De coisas e suas coisificações...
E encontro-me nu
Onde a noite se cala,
Onde o breu é mais breu
E sua negação é a afirmação de si próprio.
Abril,
Abril...
Dos sonhos que não me lembro,
Pesadelos que me recordo;
Do meu amor mais puro,
Que se enterra na morte;
Do meu sofrimento e dor,
Que se vive no renascimento;
Da mais pura verdade
Que começas na mentira;
Abril...
Abril.
Eder De Sousa Boaventura
escapadasnoturnas.blogspot.com
Escrever é uma doença que se cura com o ato!
Espero que gostem de algo em particular, e se gostarem, mesmo que não comentem, "clique em cima do título" para que fique registrado.
Mas se você gostar, conte-me!
Writing is a disease and the act itself is the cure!
I hope you enjoy something in particular, and if they like, even without comment, "click on the title" for the record.
But, if you like what I write, tell me!
eder de sousa boaventura
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quinta-feira, 2 de abril de 2015
domingo, 3 de agosto de 2014
Ocaso ao Acaso
Sinto teu sorriso,
Tua pele a me tocar,
Quando vejo o sol
Que se põe no azul do mar.
Tudo tão bonito,
Natural e espontâneo.
Tudo tão distante,
Irreal e momentâneo...
... um fim de tarde sem você.
São Paulo, 04 de Julho de 2014
domingo, 20 de julho de 2014
Fresta
FRESTA
Sobre os espaços abertos
Jaz dentro de mim
Estruturas de concreto
Quase sem fim.
Um abstrato labirinto
Tão intransponível;
Um presídio do que sinto
Ser intangível!
Há uma ânsia de correr
Pelos corredores,
Há um desejo de viver
Livre de dores
E encontrar uma passagem,
‘Inda que uma fresta,
Para outra vida ou viagem
Sem que seja esta...
... Sem que seja esta.
04/07/2014
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Abril Despedaçado
Abril, meu Abril querido...
Começou despedaçado
E finda despedaçando.
Afundo-me em mim mesmo
Sendo o abismo de minhas expectativas,
A vala dos inomináveis:
Sou a solidão de mim mesmo
Que sempre se renova
E nunca tem fim.
São Paulo, 30 de Abril de 2014
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Beijos
O sol beija o mar,
As vezes beija a lua
Como o dia beija a noite
E assim nos beijamos:
Sempre e nunca.
05/09/2013
terça-feira, 28 de maio de 2013
Concepções
Nada é nunca.
Nunca é nada.
Nunca nunca nunca
É
Sempre sempre sempre.
Nem sempre:
Nem sempre.
Eternamente...
Nunca é nada.
Nunca nunca nunca
É
Sempre sempre sempre.
Nem sempre:
Nem sempre.
Eternamente...
Eterna mente.
28/05/2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Dispersão
Desfez-se do tempo
Como fosse roupas:
Atirou as horas
Num canto qualquer,
Deixou os minutos
No sofá da sala
E ficou em casa
Usando somente
Sensuais segundos...
24/05/2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
... Nua à Luz da Lua
... Nua à luz da lua
Lá fora ela aflora:
Imersa, dispersa,
Singela, tão bela...
... Nua à luz da lua,
Vento contra intento,
Desnuda, ela muda
Serena, tão plena...
... Nua à luz da lua,
Fina, ela se volta,
Revolta e se inclina
No ar a bailar...
... Nua à luz da lua,
Finda quando escorre,
Morre quando linda:
Boa esta garoa...
... Nua à luz da lua.
14-15/05/2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Sem Luz de Luar
Findara-se a Tarde
Trajando carmim,
Despindo-se em púrpura
Nas sombras de um véu
Sem luz de luar.
Assim, negra a Noite,
Ergueu-se serena
Vestida de estrelas,
Bailando suave
Virando Manhã.
E em seu desvario
Desprendeu-se cálida
Do cinza marinho
Abrindo-se nú,
Plenamente, Dia.
15-17/04/2013
domingo, 7 de abril de 2013
Não tem Jeito...
Não tem jeito:
O que não é para ser,
Não o é e pronto!
- Maldito seja o coração!
Que não para! Que não morre!
Que simplesmente não explode!
- Facilita! (Desgraçado...)
Não vês que já estou morto?!
(Só não fui enterrado...)
sábado, 6 de abril de 2013
Desencontro
Um dia deparei-me com a Felicidade
Ou teria sido o inverso? Não me lembro...
Mostrou-se-me como um punhado de grãos de areia.
Escapou-me por entre os dedos antes que me desse por ela...
Deixou-se levar pelo vento e perdeu-se no espaço.
Deixou-se levar pelo vento e perdeu-se no espaço.
Durou tão pouco que nem sei se foi real...
Fosse o que fosse
O meu desejo seria outro
E também não poderia ser meu...10/08/2012
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Sempre em Frente
Não tenho sonhos.
Não faço planos futuros.
Não alimento expectativas.
Vivo um dia de cada vez
E cada dia como se fosse o último...
Porque um dia será.
Janeiro 2013
sábado, 15 de setembro de 2012
Indelével
Cansa-me esta vida que não passa;
O trocar das máscaras de todos os dias;
O sorriso que não sei mais expressar;
No rosto a paisagem que se apagou;
O "bom dia" que não sei mais se será...
Será?
Há dias que saio por aí e perco-me;
Dias que não estou em mim... ainda que esteja;
Dias de profundas tristezas;
Agonias opressoras e desumanas;
Apertos no peito que nem sei de onde vêm...
Um lacrimejar pelos cantos da alma como que perdesse entes queridos;
Um lamentar-se sem fim de quem nunca tem nada e ainda sim perde tudo na tragédia...
Do alto da colina dos anseios contemplo todos os funerais que há em mim:
Sonhos, que nunca serão, enterrados na vala comum do que sou...
E encerra-se em mim o tiro letal que não matou;
A fuga desenfreada, da qual ninguém escapou;
Da criança sem sono, no escuro, seu desespero;
Os homens de preto, sérios, no enterro;
A balança alterada do Bem e do Mal;
Os selos corrompidos do Juízo Final;
O canudo lacrado escondendo um diploma;
A felicidade inerte em dezesseis anos de coma;
A ironia do sobrenome (sorte?);
A vida que talvez só me encontre na morte;
O suicida e seu próprio fracasso;
A lentidão do tempo devorando o aço;
A cicatriz antiga que encolheu e fechou;
A verdadeira ferida que nunca cicatrizou;
A lágrima que escorreu e pingou e ninguém viu;
O pássaro belo que preso ninguém mais ouviu;
A porta aberta pela qual ninguém entrou;
O noivo no altar que a noiva abandonou;
O grito que morreu assim que saiu;
O olhar de deus, que me ignorou e partiu...
Jazem em mim, adormecidas, todas as possibilidades impossíveis de serem
Às margens de erros de todas as estatísticas incompreensíveis:
Folhas secas que me caem do espirito
Como variáveis negativas sem soluções mirabolantes...
E a esperança é o cálculo que não previu os acidentes que aconteceriam
E dolorosamente aconteceram....
Por entre lápides sem nomes e velhos ciprestes tristes
Novamente a revejo: descalça, como nunca deixara de estar,
Sobre o que sobrou da grama, outrora verde,
Do que restou da alma, outrora viva,
A moça, a mesma de outrora e de sempre,
Depondo seus lírios sobre corpos recém sepultados
E sussurrando suas preces sinceras sob a chuva:
"Um lírio para cada oportunidade que morreu;
Um lírio para cada semente que não vingou;
Um lírio para cada prece não atendida;
Um lírio para você e outro para mim;
Um lírio para cada adeus e despedida;
Amém."
E de repente invade-me uma estranha sensação de paz absoluta:
Faltará lírios no mundo...
Além!
10/08/2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
De Ossining a Sing Sing
Reformulei a fachada: erigi um muro.
Contruí com pedras, que me atiraram.
Uni com lágrimas, que me escorreram:
Ligas tristes para torná-lo duro.
Uni com lágrimas, que me escorreram:
Ligas tristes para torná-lo duro.
E assim dentro de mim tornou-se escuro:
Um lugar onde as horas jamais passam,
Paisagens doloridas que não cessam
E uma enorme placa a dizer: "PERDURO".
Um lugar onde as horas jamais passam,
Paisagens doloridas que não cessam
E uma enorme placa a dizer: "PERDURO".
Quero lançar ao solo esta estrutura
Com um grito suplício de liberdade
Capaz de aniquilar toda a amargura
Sem comprometer minha integridade.
Com um grito suplício de liberdade
Capaz de aniquilar toda a amargura
Sem comprometer minha integridade.
Pois, da obra que um dia fui engenheiro,
Dela também tornei-me prisioneiro!
Dela também tornei-me prisioneiro!
10/04/2012
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
O Teatro do Impossível
I
Há um lugar onde as trevas são densas
E as luzes da razão sequer refletem.
Um lugar onde imagens intensas
Fazem o que querem, não se submetem!
Se alguém as dirige enquanto atuam
Controle algum sobre elas ele tem.
Cantam, dançam, interagem, flutuam...
Desconhecem regras: nada as detem!
Tais criaturas das sombras emergem
E num palco fazem suas ousadias.
Usam máscaras, roupas, camuflagens:
Imitam pessoas do dia a dia!
II
Por enigmas destilam suas mensagens.
Por seus atos confundem quem assiste.
Mas o mais estranho nessas imagens
É que se elas chamam ninguém resiste!
O espectador nunca é passível
E a sensação é fuga do real,
Pois neste teatro do impossível
Alguns sente-se bem, já outros... mal!
Quando termina a apresentação
E as luzes suavemente clareiam,
As imagens como nevoas se vão
Deixando sensações que nos permeiam...
III
Do que à noite nos acometem
Passamos o dia tentando lembrar.
Se as personagens a algo nos remetem
Logo procuramos justificar:
Uns vêem presságios, outros mensagens,
Alguns sempre buscam algo mais...
Mas a ciência diz que essas viagens
São meras tempestades cerebrais!
Não importa como se classifique,
Pois o homem sempre vai se debruçar
E contemplar o que o identifique
Diante do mistério de sonhar.
14/09/2011
quinta-feira, 10 de março de 2011
Do nada ao nada...
Do nada ao nada...
Para nada...
Parar...
Em uma fração de segundos
Um pulo no tempo:
Ferei parte de tudo
Ou nada serei?
sine die
quarta-feira, 9 de março de 2011
Sobre a vida que vivo...
Sobre a vida que vivo
É toda ela em sua extensão
Uma suave propensão
Ao livre arbítrio do suicídio.
sine die
terça-feira, 8 de março de 2011
No labirinto que é minha alma...
No labirinto que é minh'alma,
P'lo breu que por ela se estende,
Há um ser, sentado, sem (c)alma,
Que por alcunha alguma atende.
Este sou eu! Tendo na palma,
A lágrima que nunca pende,
E, no olhar, que a tantos acalma,
A Tristeza que não desprende.
sine die
segunda-feira, 7 de março de 2011
E esfacela-se o coração...
E esfacela-se o coração.
Dor e sofrimento
Rompem-se na poeira,
Na destruição...
Inteiro o coração é um caos.
?/12/02
Se a angustia é um corredor...
Se a angústia é um corredor
Que guia o ser a liberdade,
Este meu é feito de dor
Sem largura ou profundidade.
E se não bastasse o calor,
Furioso - feito a maldade -,
Nas paredes se esconde o Amor
Que não tive na flor da idade.
side die
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