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sábado, 7 de julho de 2012

Escapadas Noturnas...



Há noites em que as trevas são mais densas;
Que o fim do túnel se mostra infinito;
Que, se grito, não há eco de grito
E o breu se abre feito tendas imensas.

Eis que abandono a mim; as minhas crenças;
A tudo que poderia ter sido;
A beleza do que hovesse ocorrido
E as verdades e suas desavenças.

Durante horas, correr é o que mais quero,
Despindo-me pelo caminho incerto
Do que não mais desta ventura espero.

Pé ante pé, passo após passo e além mais,
Distanciando-me do que está perto
Sem jamais olhar para trás... Jamais.



1-5/06/2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

... E Outras Paisagens



Extraio, dia após dia, de mim
Uma força que sobrepuja a humana
Sem ao menos saber de onde ela emana
A suportar o meu dia sem fim,

Onde há chacais que querem os meus rins,
Cobras que me espreitam pela savana
E uma hiena - sorrindo - desumana
Vestidos de ternos, saias e afins.

Pois cercam-me, estas bestas feras falsas
(Presentes de grego ou beijos de Judas),
Cuja proximidade se faz alças
Tão confiáveis quanto a água imunda!

Vejo que onde se impõe a Lei do Cão,
Mais arriscado é quando se é o leão!


01-03/07/2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

De Ossining a Sing Sing

 
 
Reformulei a fachada: erigi um muro.
Contruí com pedras, que me atiraram.
Uni com lágrimas, que me escorreram:
Ligas tristes para torná-lo duro. 
 
E assim dentro de mim tornou-se escuro:
Um lugar onde as horas jamais passam,
Paisagens doloridas que não cessam
E uma enorme placa a dizer: "PERDURO". 
 
Quero lançar ao solo esta estrutura
Com um grito suplício de liberdade
Capaz de aniquilar toda a amargura
Sem comprometer minha integridade. 
 
Pois, da obra que um dia fui engenheiro,
Dela também tornei-me prisioneiro! 
 
 
10/04/2012

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mineirices de um Paulistano



Ah... quando penso naquela mineira
E no seu de-li-ci-o-so sotaque
Inevitável vontade me esgueira,
Intensa como um cardíaco ataque.

Cada "uai", expresso de uma maneira;
Cada "nó", que vai do sutil ao baque...
Vou vendo aquela menina matreira
E não há trem ou trilho que me aplaque!

Um tantim só, bocadim de malícia,
Faz eu ver, em cada gesto, a delícia
Daquela boca pronta para o beijo!

E como homem, que sabe o que quer,
Digo, quando vejo aquela mulher:
- Querida, me dá mais um pão de queijo!


18/11/2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Diariamente



Todo dia minha alma tende a adoecer:
Cinge-se de púrpura e carmesim
Como se o crepúsculo fosse em mim
E eu um retrato triste do entardecer.

Espalha-se, fácil por este ser,
A amargura, a angústia, como um jasmim
Que não mais exala e chegasse ao fim
Enxuto da seiva até fenecer.

Mas, ao sol se por, toda esta paisagem,
'Sgueira-se por trás da vasta colina;
Dissipa-se, mina, feito miragem.

A noite infinita, com suas estrelas,
Esparrama o luar que a tudo ilumina...
Minha alma, menina, sorri ao vê-las.

10/11/2011









A idéia do que se segue abaixo não foi minha.
    Um dia ela veio a mim e disse:
    - Fico imaginando o que se passa na sua cabeça quando você escreve...
    Teria passado em vão, mas como existem coisas que não deveriam ser esquecidas e as são; e, essa, que deveria ter passado em branco, não passou.
    Para você.
Perdoe a confusão, pois, quando intenso, a criação, quando se revela em mim, não é  diferente de um furacão ou tornado ou qualquer outra coisa semelhante, cujo resultado pode ser claro, mas não o processo...

26/10/2010

pagina nº 1

Há épocas em que minha alma adoece:
Tinge-se de um tom púrpura e carmim
Como se o crepúsculo fosse em mim;
Tudo que vjo ou sinto me enternece.

( A imagem é ampla)

penetra/ me ao/ peito
Fustiga-me o peito, como um dever,

Há tempos minha alma vejo que adoece  (nha_al) (sinto/vejo) (doe)
Tinge-se de púrpura , ora carmim, (púr/mim)
Como se o crepúsculo fosse em mim (pús/mim)

Às vezes minha alma tende a adoecer:
Tinge-se de ( púrpura e de carmim) (em violeta e carmesim)
Como se o crepúsculo fosse em mim
E eu um retrato triste do entardecer.

{Fustiga-me o peito, exauto de ser (existir?)
Às preces feitas para por um serafim
que tombado em e sem fé teve por fim}
{} = outra = péssimo

e de canto à imagem, a fenecer,

E nesta paisage, a fececer,

Pagina nº 2

Tem dias que minha alma tende a adoecer:
Mescla-se em violeta ao tom de carmesim
Como se o crepúsculo fosse em mim
E eu um retrato triste do entardecer.

E nesta paisagem, a fenecer
A um canto qualquer, velho está um jasmim

----------------------------------------------------------------------x-------------------------------------------------------------

Tem dias que minha alma tende  acid
Tem dias que minha alma tende a adoecer (nha al/ cer)
Tinge-se de púrpura e carmesim (púr/mim)
Com se o crepúsculo fosse em mim (pús/mim)
E eu um retrato triste do entardecer (tris/cer)

(imagem ampla e colorida)
versos heroícos dançantes 5-10

Rimas
carmim
carmesim
Querubim
Serafim
Mim
Fim
Assim (?)

desinência verbal 2 conjução do infinitivo (er)

Obs: " reduzir amplitude e cores na próxima quadra"

Página nº 3

E nesta paisagem, a fenecer
Ao pé de uma lápide

E nesta paisagem a fenecer
Ao pé de um sepulcro, jaze um jasmim

Tem dias que minha alma tende a adoecer:
Tinge-se de purpura e carmesim
Como se o crepúsculo fosse em mim
E eu um retrato triste do entardecer.

E eu um ( um som só, conselho de Bilac!) "triste" por "eterno"

Espalha-se na alma, facil de ver, ( ruim)
Espalha-se facil na alma ( ruim)
Espalha-se p'la alma, fácil, ( péssimo)
E espalha-se fácil por este ser,
A triste amargura
A amarga paisagem
Triste sensação
ar/bus/to /de/ jas/mim/
5/6/7/8/9/10
[este a contagem foi de trás para frente]
vio/len/to /per/fu/me/
1/2/3/4/5/6/

A amargura, a
A a/mar/gu/ra, a a/ngús/tia
A a/mar/gu/ra, a an/gustia como um jasmim
1/2/3/4/5
Que/ não/ mais/ e/xa/la e /che/ga ao /seu/ fim
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10/

Página nº 4

Tem dias que minha alma tende a adoecer (a al / cer)
Tinge-se de púrpura e carmesim (púr / sim)
Como se o crepusculo fosse em mim (pús / mim)
E eu um retrato eterno do entardecer. (ter / cer)

Espalha-se, fácil por este ser, (fá / ser)
A amargura e a angústia, como um jasmim (gús / mim)
Que não mais exala e chega ao seu fim (xa / fim)
Se ando até (ruim)

Aos /pou/cos/ se/can/do a/té /fe/ne/cer (can / ser)
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10
Se/co e/ sem/ tom/ a/té/ fe/ne/cer
1/2/3/4x/5/6/7/8/9x (ruim)
tom/ a/té/ fe/ne/cer
cor/ a/té/ fe/ne/cer
5/6/7/8/9/10
[este a contagem foi de trás para frente]
cor>vida>seiva>( vitalidade, energia, vigor )

rimas
vê-lo/a
sê-lo/a
tê-lo/a
fazê-lo/a
En/xu/to/ da/ sei/va a/té/ fe/ne/cer
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10

Tem dias que minha alma tende a adoecer:
Tinge-se de púrpura e carmesim
Como se o crepúsculo fosse em mim
E eu um retrato eterno do entardecer.

Tem dias que> todos os dias (4)> todo o dia (3) = diariamente!
crepúsculo> qual?
eterno> substituir por "triste"
entardecer> substituir por "amanhecer"

E espalha-se, fácil, por este ser
A amargura e a angustia como um jasmim
que não mais exala e chega ao seu fim
Enxuto da seiva até fenecer.

E> ( ruim) [mesmo recurso usado no verso anterior]

Página nº 5

Retomar as cores?
Eliminar as cores?
E/ nes/te a/rre/bol
1/2/3/4/5
E/ nes/ta/ pai/sa/gem

Retomar o sentimento?
Inverter o sentimento?
Fus/ti/ga/-me o /pei/to
1/2/3/4/5/
Misturar sentimento e cores?
to/da es/ta/ tris/te/za
6/7/8/9/10/

E/ nes/te a/rre/bol,/ to/da es/ta /tris/te/za
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10

{Se a/bre a/ co/li/na ( ruim)
1/2/3/4x
Se a/bre/ na /co/li/na
1/2/3/4/5

[os dois últimos versos] =
lan/ça/-se à/ co/li/na
1/2/3/4/5/}
{x} = ruim!

es/pa/rra/ma/-se
1/2/3/4/5 ( ruim )
Do/mi/na o es/pi/ri/to
1/2/3/4/5
3> de novo não!
De/põe/-se /co/mo o/ sol 
1/2/3/4/5/6 ( ruim)
E /jun/to /do/ sol
1/2/3/4/5x
1 > de novo não!
So/me/ com/ o /sol ( se o sol some não pode ser eterno!)
1/2/3/4/5x (ruim)
so/me/ com/ o/ sol/ por/ trás/ do/ ho/ri/zo/nte
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10/11x (ruim)
So/me/ com/ o/ sol/ por/ trás/ d'ho/ri/zon/te
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10
d'ho = recuso usado por Florbela Espanca

E neste arrebol, toda esta tristeza
Some como o sol por trás do horizonte
E> Mas ( inverter ao invés de somar)

Página nº 6

Mas neste arrebol, toda esta tristeza
Dome com o sol por trás do horizonte

E a /no/ite i/lu/mi/na/ com/ suas/ es/tre/las
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10
as rimas vã ficar longe:
c
d
e
c
d
e
Conclusão  (nada concluido!)

E a /noi/te i/lu/mi/na-/me/ com/ es/tre/las
Es/guei/ra-/se a/trás
1/2/3/4/5/ ( bom ou ruim?)
Mas ao sol se por, toda esta tristeza
Esgueira-se atrás ( da vasta colina?)
'Sgueira-se por trás
'S= elisão supressão do som

pausa > (video game
e  filme senhor dos aneis - o retorno do rei)

Mas, ao sol se por, toda esta tristeza
'Sgueira-se por trás da vasta colina
E a noite ilumina-me com estrelas

Aproximar rimas
c
d
c
e
d
 e

con/tem/plo/ fe/liz/ to/da a /na/tu/re/za
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10
substituir "toda a" por "minha"
E /mi/nha al/ma/ co/rre/ pe/la /na/tu/re/za
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10/11x
se substituir a quinta silaba por "sã" dá para salvar a idéia
E/ m/inha al/ma/ sã/ co/rre à/ na/tu/re/za
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10/

Mas ao sol se por toda esta tristeza
'Sgueira-se pr trás da vasta colina
E a minha alma sã (corre?) à natureza

corre ou ganha a ?

Página nº 7

Todo dia minha alma tende a adoecer
Tinge-se de purpúra e carmesim
Como se o crepusculo fosse em mim
E eu um retrato do amanhecer.

Espalha-se, fácil, por este ser
A amargura e a angústia como () um jasmim
Que não mais exala e chega ao fim ( rever!)
Enxuto na seiva até fenecer.

Mas, ao sol se por, toda esta tristeza
'Sgueira-se por trás da vasta colina
E minha alma sã ganha a natureza.

E> ritmo?
e>  suprimir =( A amargura, a angústia) (não!)
()> elisão/omissão " fosse" > Que não exalasse e chegasse ao fim
na> trocar por "da"

Conclusão

A noite ilumina-me com estrelas
A /noi/te i/lu/mi/na-/me/ com/ seu/ luar
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10
rimas
colina
felina
fulmina (exelente)
ilumina

E as/ es/tre/las/ a es/cu/ri/dão/ ful/mi/na
1/2/3/4/5x/6/7/8/9/10
( Mas a imagem é forte)

E o /pra/tea/do /luar /es/cu/ri/dão/ ful/mi/na
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10/11x ( que raiva!)
[ há huma variação do verso abaixo que nem ouso repetir]

A noite ilumina-me com estrelas
E prateado, o luar, as trevas fulmina.
( fulmina concorda com luar)

sú/bi/to a/ tris/te/za ?/ o /luar/ ful/mi/na
1/2/3/4/5/?/7/8/9/10

rimas
paisagem
viagem
paragem
contagem
bobagem(!)
aragem
tristeza/paisagem
(3)/(2)
natureza/
(3)

 mas ao sol se por, toda esta paisagem
'Sgueira-se por trás da vasta colina
E /mi/nha al/ma /li/vre/ se/gue/ via/gem ( ela não estava viajando!)

1/2/3/4/5/6/7/8/9/10

A noi

A /tri/lha/ que/ tra/ço /vai e i/lu/mi/na
1/2/3/4/5/6/7/8/9x

Esparra m o luar                                      Esparrama-me a luz do luar que ilumina
Lança a luz do luar que
Meus olhos. E choro


Pagina º 8

1 - A noite infinita, com suas estrelas,
   Esparrama a luz do luar que ilumina.

2 - Es/pa/rra/ma o/ luar/ que a/ tu/do i/lu/mi/na
1/2/3/4/5/6/7/8/9/10

(amanhecer é menos poetico que entardecer!)

Se en/ter/ne/ce ao/ vê/-las
6/7/8/9/10
 en/ter/ne/ce/-se ao/ vê/-las
5x/6/7/8/9/10
[versos contados inversamente]

("livre segue viagem") > não me agrada

3 - E/ mi/nha al/ma/ sã/ se en/ter/ne/ce ao/ vê/-las > fechamento

Mas, ao sol se por, toda esta paisagem,
'Sgueira-se por trás da vasta colina
substituir tingir = pintar por cingir = envolver)

Retirar "E" 2ª estrofe 1º verso.

As/ tre/vas/ o/ cli/ma
1/2/3/4/5
E o ar/ que an/tes/ so/tur/no
1/2/3/4/5/
E o/ re/tra/to ad/qui/re
1/2/3/4/5

(variações: esparrama a luz do luar que ilumina - minha alma ela, sã x

Pagina nº 9

A noite infinita, com suas estrelas,
Esparrama o luar que a tudo ilumina
E minha alma sã se enternece ao vê-las.

feito um sonho  ruim
feito = adj.
como = adv.
feito ficara como feito como como pedra feito pedra feito feito
feito = adv!

rimas
margem
miragem
mina
menina
ilumina
 colina
 cristalina

muitas opções.... uma rima interna???

10/11/2011 -- 11:38 horas

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Amargas Impressões



Deus fez, por prazer ou descuido, o homem
E dotou-o de um senso incomum à guerra
E ele o usa e abusa e o esgota e fere a terra
E ele a invade e a conquista e grita: " - Tomem!"

Há nos homens coisas vis que os consomem
Como o ódio que das entranhas berra,
Como o impeto de negar quando se erra,
Cordeiro a esviscerar um lobisomem!

À cada prole legamos um trauma,
Inconsequente e sem reparação,
Que faz de nós Arautos da Extinção.

Porque nem toda paz ou sangue acalma
Quem já nasce doente ou ferido na alma
Propenso, desde o berço, à destruição.


23-26/10/2011

sábado, 20 de agosto de 2011

As Horas Que Não Passam



Por que são destas horas que não passam
Aqueles pensamentos mais nostálgicos
E outros sentimentos mais que trágicos
Que a mente e o coração vão e caçam?

Por que é neste tempo tão perdido
Que súbíto o passado se levanta
E tenaz ludibria quem se encanta
Sussurrando imagens ao ouvido?

- Não sei... mas ao seduzir quem lh'atende
De tão suave sua lábia é mansa
Que nem sequer propõe o que pretende.

E quando menos se espera, a criança
Que p'lo nome de Saudade atende,
Nos convida para mais uma dança.


20/08/11