sexta-feira, 1 de junho de 2012

Campanha do Agasalho
ou
A Roupa Invisível do Rei



Palavras são roupas.
 Veste-as, o pensamento,
 Quando sai de casa.

E há tantas roupas
 Espalhadas pelo mundo
 Que chega a ser estranho
 Haver cada vez mais;
 E cada vez menos haver
 Gente bem vestida!

De que adianta
 Vestir-se por fora
 E permanecer nú
 E com frio
 E sozinho
 E esquecido
 Por dentro?

Cedo ou tarde
 Todas as palavras
 Saem de casa
 E ganham as ruas...

E todos saberão onde moramos
 E todos ouvirão como nos vestimos!


01/06/2012

domingo, 27 de maio de 2012

Balada das Variações Invariáveis



De cabelos bem penteados
E prontos para a ocasião,
Com ternos caros, importados,
Ele vai à televisão.
De um lado promete milagre
Até as vésperas da eleição;
Mas, qual vinho, vira vinagre
Quando eleito pelo povão!

Pois o crime só não vale a pena
Para você nem para mim:
Somos todos "gente pequena"
Diante da corja sem fim!

Na frente do povo não mostra
A terceira mão escondida,
À que furta, rouba e não prostra:
Verdadeira face escondida!
Há políticos milionários
Que quase nunca vão à lida
Fazem da nação operários
Da Pátria Mãe Prostituída!

Pois o crime só não vale a pena
Para você ou para mim:
Somos todos "gente pequena"
Diante da corja sem fim!

Mais de mil colarinhos brancos
Permanecem fora das grades;
Engordam contas em seus bancos,
Tiram manchas de suas fraudes!
Se a Justiça não fosse cega
Nem se lhe faltasse vontade,
Seria rápida - não trôpega! -
Perseguiria-os de verdade!

Pois o crime só não vale a pena
Para você ou para mim:
Somos todos "gente pequena"
Diante da corja sem fim!

24/05/2012