domingo, 22 de setembro de 2013

Gentileza Gera...


 "A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade(...)"
- III Lei de Newton




O ônibus chega ao ponto.

Para ser gentil, você deixa aquela senhora que aparenta ter 720 anos subir à sua frente. Olha para trás e percebe o povo fazer cara feia: ninguém gosta de esperar os dois anos que ela demora para subir os degraus.

Quando sobe, percebe que existem apenas dois lugares vagos: um para idosos, outro comum. Estava escrito, pensa consigo mesmo. Só poderia... Vai sentado, recuperando o sono. Nem acredita! Viu? Quem disse que a vida não ajuda quem ajuda os outros? Hã, hã? Heim, heim?

Então, dotada de incrível agilidade, aquela senhorinha (a tia do Mun-Rá) senta-se no lugar comum e antes que você se dê conta vai seguir em pé o caminho inteiro...

Naquele momento sentimentos poderosos dominam seus pensamentos. Uma névoa negra se forma ao redor de você. Raios de raiva curiscam o firmamento do seu cérebro.

Você a olha nos olhos.

Ela sorri.

Sorte a dela você não ter visão de calor...

 





São Paulo, 21 de Setembro de 2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

"Pergunte Aos Universitários"



A aula está pesada.

Você desce.

Fuma um cigarro.

Reflete se sobe de volta ou não...


Da um pulo no bar como quem procura uma desculpa para não voltar e a encontra: conhecidos com cervejas conhecidas.


Você toma um copo.


O líquido escorrega pela garganta e se aloja em seu corpo como um nenê em ventre materno.


De repente, entre tantas pessoas que tem no bar você sente um corpo forçando as suas costas. Vira-se para reivindicar o seu espaço e se depara com uma coisinha linda.


Ela sorri.


Você idem.


Vira-se para os amigos e continua o bate papo.


Daqui a menos de cinco minutos ela esbarra em você novamente. Desta vez, o segundo encontro dá vazão para um blábláblá entre os dois.

Você fuma, ela fuma.


Você esta tomando uma breja, ela também.


Você com seus amigos, ela com os dela.


Ela pergunta o que você faz.


(Hum, tá querendo sondar. Você pensa.)



Você diz que estuda ADS.


ADS? Ela pergunta.


Você pensa: "que besta que sou, ninguém é obrigado a saber o que siglas representam!" E explica o que é.


Legal, ela diz.


Você pergunta o que ela faz.


Pedagogia, ela responde...
















... e após um momento de reflexão, seu cérebro não se lembra para que serve isso! Um tanto sem graça você pergunta qual o conteúdo da aula. E para sua surpresa ouve:



- Nós cantamos musiquinhas em francês, fazemos recortes, colagens com jornais e revistas e também joguinhos para crianças.


- Ah...


De repente você olha no relógio de pulso que não possui e diz:


- Putz!!! tenho um trabalho para entregar! Depois a gente se fala!


Ela sorri.


Você parte.


Subindo os degraus, voltando para sua aula, você pensa consigo mesmo: musiquinha, recorte, joguinho??? Como é o TCC, então? Preencher um caderninho de palavras cruzadas? Molde com massinha? Brincar de pega-pega com a banca que avalia o projeto/tese?


E então você se dá conta do quanto sua aula estava bem mais atrativa!



São Paulo, 13 de setembro de 2013

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Beijos



O sol beija o mar,
As vezes beija a lua
Como o dia beija a noite
E assim nos beijamos:

Sempre e nunca.

05/09/2013

sábado, 10 de agosto de 2013

O Ministério da Saúde Adverte?



"Quando a morte conta uma história, 
você tem que parar pra ouvi-la."
  - Markus Zusak


Já passava da meia noite quando desci do ônibus e entrei em uma viela que liga a avenida principal do bairro onde moro à rua da minha casa.

Saquei um cigarro do maço e coloquei-o na boca; peguei o isqueiro com a mão direita, já que a esquerda estava ocupada com o celular e, quando ia acender o cigarro, notei que um homem vinha em minha direção...

O fato de eu ser pequeno faz com que veja qualquer pessoa com mais de um metro e oitenta de altura como se fosse um gigante, mas aquele cara era bem maior que isso. Não bastasse o seu tamanho e o fato da viela não ter iluminação alguma, o sujeito era tão negro. Não que eu seja preconceituoso, mas não poder distinguir uma pessoa na calada da noite não é algo que me deixa confiante.

Quando se aproximou um pouco mais, consegui identificar o sujeito pelo uniforme: era um policial. E por um momento não soube se deveria ficar tranquilo ou preocupado: a arma que, normalmente, deveria estar no coldre, estava à mão!

 Como havia um carro estacionado na viela, calculei que, se eu fosse - um pouquinho só - para a direita, haveria espaço suficiente para que nós dois passássemos lado a lado sem que um esbarrasse no outro. E assim o fiz: enquanto andava, direcionei-me, suavemente, uns vinte centímetros ou pouco mais para a direita... Subitamente, ele se moveu cerca de um metro ou mais em minha direção.

À medida que se aproximava, percebi que seus olhos estavam injetados: aquela parte branca dos olhos, a esclera, que, normalmente, deveria ser branca, estavam vermelhas... Vermelhas demais.

- 'Ta vindo do trabalho? - E ao mesmo tempo em que fez a pergunta com aquela voz cavernosa, sua mão esquerda procurava algum objeto suspeito à altura da minha cintura. Por instinto ergui as mãos próximas à cabeça. Celular na esquerda, isqueiro na direita e cigarro à boca.

- Da faculdade.

Apontando a cabeça em direção a minha mochila, ainda me revistando com a mão esquerda disparou:

- O que tem aí? 

Movido por uma frieza absurda que dominou minha mente naquele instante, respondi num folego só:

 - Um caderno um guarda-chuva uma revista uma camisa de flanela uma jaqueta esportiva dois livros e um estojo.

Por alguma razão que desconheço, se ele me perguntasse o que havia dentro do estojo ou quantos zíperes tinha a mochila eu também saberia responder.

- Tem passagem?

- Não. Nenhuma.

- Usa drogas?

Esta pergunta me deu uma certa vontade de rir, mas eu resisti bravamente. Sinceramente, observem a situação: é madrugada, você encontra com um policial em atividade para lá de suspeita, olhos estranhamente vermelhos, com a arma na mão e você responde o que mediante uma pergunta desta? Que fuma um baseado, que cheira um pó, que se injeta... Só se estiver muito chapado!

- Não. Nada.

Um pequeno silêncio de cinco segundos pesou entre nós. E eu ainda estava com as mãos à altura da cabeça: celular em uma, isqueiro na outra e cigarro à boca.

- Mora por aqui?

- Naquela rua. - Disse, apontando com a cabeça, o nome da rua em frente à viela e o número da minha casa.

- Vai pra casa, filho. 

- Obrigado. Boa noite e bom trabalho.

Ainda possuído por aquela frieza absurda, caminhei os quatro metros mais distantes da minha vida, e em nenhum momento, nem sequer um lampejo de pensamento, passou pela minha cabeça a necessidade de olhar para trás.

Os quatrocentos metros seguintes, que separam a viela da minha residência, passaram-se em um piscar de olhos. E somente quando fui pegar a chave para abrir o portão, percebi que o celular continuava na esquerda, o isqueiro na direita e o cigarro apagado à boca. 

Sentei no pequeno degrau que separa o portão da calçada, e pensei: um policial andando sem parceiro, à meia noite, sem viatura, em uma vielinha sem iluminação, na periferia de São Paulo, onde já ocorreram diversos assassinatos e execuções não resolvidas, com a arma em punho? 

"Quem eu realmente vi naquele momento? Um policial com conjuntivite? Um lobo solitário ou um cachorro louco? Tem diferença? Teria sido a própria morte? Um encontro destes, o Ministério da Saúde Adverte?  

Inevitavelmente veio-me à mente: "Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando." E querem saber? Pessoa estava certo... Dane-se o politicamente correto: acendi o cigarro e fumei... E aquele foi o cigarro mais saboroso que fumei até hoje!  




São Paulo, 10/08/2013

terça-feira, 25 de junho de 2013

Não Era, Mas Foi



Durante as manifestações que ocorreram por todo o pais, também conhecidas como "Movimento Quero Meu Vintém De Volta", uma organização ultra secretíssima formada por pessoas não favoráveis a organizações e manifestações aprontava-se para fazer uma passeata contra os manifestantes que faziam passeatas.

De cartazes a mão, com gritos de ordem e cheios de ânimos para lotarem as ruas de são Paulo, desistiram na ultima hora, pois uma ala de radicais lembrou que o que estavam prestes a fazer feria o propósito da organização contra manifestantes que fazem passeatas!

Depois de um embate acalorado e desproporcional utilizando-se de palavras que tentam explicar o propósito de ações despropositadas, chegaram ao consenso de que o grupo acabaria, por ter ido contra o seu verdadeiro propósito... e como era uma sexta feira foram todos tomar cervejas em suas respectivas casas, solitariamente...

Uma semana após as passeatas, conhecidas entre os meios políticos como o movimento dos “Les Misérables”, milhares de políticos tomaram as principais ruas das grandes cidades do Brasil, e, erguendo seus cartazes - para as emissoras de T. V. - gritavam a plenos pulmões:

- O povo vendido, jamais será unido!


Anos mais tarde, ao analisar o movimento que ficou conhecido como "Até Judas Pediu Mais", pois chegou-se a conclusão de que até Judas ousara realmente pedir mais, descobriu-se o valor do ser humano e respectivamente de uma nação: R$0,20!!!

Durante os trinta anos que se seguiram o país não teve grandes mudanças:
o Brasil não foi hexacampeão; os estádios estavam lotados, a presidente Dilma Rousseff - com a ajuda do Lula, novamente - conseguiu ser reeleita em 2014, os ônibus continuaram superlotados, com tarifas cada vez mais caras; a saúde pública e a educação ainda são deficientes, a redução da maioridade penal demorou seis anos para ser aprovada (atualmente é dezessete anos), a maioridade eleitoral também foi aprovada (atualmente é de quatorze anos).
 
Tentaram recriar o mesmo movimento durante os Jogos Olímpicos de 2016, mas a tentativa foi frustada porque naquele ano o governo não permitiu o reajuste das passagens.
Descobriu-se mais tarde que R$ 0,20 não fez falta a ninguém; que grande parte dos políticos continuam sendo suspeitos de fraude, roubo, furto e formação de quadrilha, mas ninguém liga...e todos voltaram a sorrir no país do futebol. 
Não era só por vinte centavos... mas ficou sendo!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Seção Quadras Singulares:
XV: Fato

 
 
O papel é coisa ingrata:
Presente em qualquer banheiro;
Nele se imprime dinheiro
E até poesia barata!
 
29/05/2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

Concepções



Nada é nunca.
Nunca é nada.

Nunca nunca nunca
É
Sempre sempre sempre.

Nem sempre:
Nem sempre.

Eternamente...
Eterna mente.


28/05/2013

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Dez Coisas Para O Coração Refletir



1 - A fala é a expressão do pensamento, assim como o beijo é a do desejo.

2 - O que mais gosto das nossas conversas é a profundidade do nosso silêncio. É ensurdecedor!

3 - Infelicidade é o nome que damos para tudo aquilo que o destino não quer que tenhamos...

4 - Poesia é a arte de fazer amor com as palavras. 

5 - Apaixonar é colocar o coração nu sob o sereno e rezar para que ele adoeça!

6 - Não sou imagem. Sou imaginação. 

7 - A pior prisão é a mente estar a milhas distante do corpo e os dois incomunicáveis com o coração.

8 - Saudade é sentença de morte que se cumpre em vida.

9 - Amar e não ser amado é ocasional, mas dizem ser loucura. Loucura maior seria nem sentir.

10 - Ainda que estejamos distantes sei, sinto, que minhas palavras chegarão até você.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Dispersão



Desfez-se do tempo
Como fosse roupas:
Atirou as horas
Num canto qualquer,
Deixou os minutos
No sofá da sala
E ficou em casa
Usando somente
Sensuais segundos...


24/05/2013

quarta-feira, 15 de maio de 2013

... Nua à Luz da Lua



... Nua à luz da lua
Lá fora ela aflora:
Imersa, dispersa,
Singela, tão bela...

... Nua à luz da lua,
Vento contra intento,
Desnuda, ela muda
Serena, tão plena...

... Nua à luz da lua,
Fina, ela se volta,
Revolta e se inclina
No ar a bailar...

... Nua à luz da lua,
Finda quando escorre,
Morre quando linda:
Boa esta garoa...

... Nua à luz da lua.



14-15/05/2013

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Dez Aforismos II


1 - A esperança, infelizmente, é a última que nos abandona.

2 - Confiar em alguém é como entregar uma arma carregada para outra pessoa e deixá-la com uma bala que possuí o seu nome.

3 - Quando era criança, minha avó dizia que quem não estuda seria lixeiro.
      Errou: hoje as pessoas são operadoras de telemarketing!

4 - Todas as idéias, pequenas ou grandes, cabem em algumas frases.

5 -  A expectativa é a mãe das desilusões.

6 -  Bebo porque sóbrio a vida é um porre!

7 -  É possível dividir a humanidade em três tipos de pessoas: as pessoas que pensam, as que pensam que sabem e as que sabem. 
      Quem pensa, geralmente, vive cercado de interrogações; quem pensa que sabe, cerca-se de respostas; e, por fim, quem sabe, cercar-se de certezas.
      Entretanto, a história marca o sábio pelas questões que propõe, o esperto pelas soluções rápidas o ignorante pela certeza absoluta!

8 - Não podendo mudar a realidade, mudamos suas denominações: favela passou a ser comunidade, drogrado tornou-se dependente químico, mendigo passou a ser chamado de morador de rua e por aí se vai aos montes.
    Na pratica nada muda, mas com novas denominações as pessoas se sentem mais dignas de suas condições, ainda que sejam exatamente iguais às anteriores.

9 - Poesia é imagem e/ou conceito. E um serve ao outro e vice-versa!

10 - O auxílio reclusão é o seguro desemprego do marginal quando este fica desempregado porque está preso!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Talvez II



Não é
Nem sim
Nem não,
Nem assado
Ou assim...


Somente
E duplo:
Talvez!

1º/05/2013

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Os Seis Cisnes

   

Certa vez, um rei caçava numa grande floresta e perseguia a caça com tal empenho que nenhum dos componentes do seu séquito conseguia acompanhá-lo. Quando anoiteceu, o rei deteve-se, olhou a sua volta e percebeu que estava perdido. Procurou um caminho para sair da floresta, mas não o encontrou. Nisso viu aproximar-se uma figura trajada em um manto negro, caminhando lentamente em sua direção. Apesar da roupa que a trajava, o rei percebeu que se tratava de uma mulher velha.

- Boa mulher - disse o rei - não poderia indicar-me o caminho através da floresta, caso o saiba?

- Oh, sim majestade, poderia - respondeu ela com uma voz rouca e suavemente melancólica - poderia sim, naturalmente. Mas com uma condição.

- E qual seria?

- Antes de dizer, é bom que saiba que se não a cumprir ficará perdido por aqui e cedo ou tarde morrerá de fome, sendo esta floresta e esta paisagem o seu túmulo.

O rei a fitou com um olhar surpreso que rapidamente se tornou colérico; deu um passo para trás e, soltando a besta, que segurava em sua mão direita, com a mesma agarrou a empunhadura de sua espada. Era uma bela arma de combate, forjada em Toledo, então capital da Hispânia. Um mestre ferreiro havia dado como presente de posse ao primeiro monarca da família, há uns três seculos, que por sua vez passou para seus sucessores até que chegasse a mal do atual rei. Era, hoje, muito mais uma espada cerimonial que bélica.

- Tsk, tsk, meu rei, não é através do uso da violência que se consegue soluções. Os bárbaros, os desesperados, os irracionais se portam assim. Alguns até têm suas razões para agirem assim, mas só porque não têm escolhas. Vossa majestade - disse a velha em tom de ironia - é um rei, vindo de uma geração de nobres, dotadas de homens inteligentes... Não creio que, apesar de tudo, vossa majestade não consiga dominar os seus impulsos mais primitivos e destrutivos, principalmente diante de uma velha indefesa, como eu, que esta oferecendo a vossa majestade uma opção.

Quem é essa maltrapilha velha, pensou o rei, para me impor algo!, sou eu que imponho algo a alguém em meu território e tem sido assim há vinte e dois anos.

E de fato era, desde que recebera, pouco antes da morte de seu pai, aos vinte anos, o controle de todas as terras e províncias que lhe cabia por direito. E reinara com severidade sobre tudo que lhe pertencia, inclusive sobre tudo que estava sobre o que lhe pertencia.

- E então meu bom rei, o que vai ser?

- Não tem o direito de me impor nada. Nada, ouviu!? Eu sou a ordem, eu imponho, eu sou a lei!

- Lei!? - e explodiu numa risada estrondosa, como se um bando de gralhas saíssem das arvores, repentinamente em uma madrugada silenciosa. - O que é a lei, ainda que estática em sua expressão, senão um conceito, volúvel e maleável, no qual seus conselheiros, cínicos e hipócritas, que primeiramente tendem a defender seus próprios interesses, se debruças para elaborá-la? Que moral, que escrúpulos têm quem as fazem? Vocês deveriam pagar em vida seus pecados e não no inferno... Rá!, e pensam que são livres...

- Meu povo é livre! - disse o rei com certa indignação.

- Não, não o são não. Pensam que são livres, apenas porque ainda vivem, mas no fundo todos sabem que estão cercados pelas leis que os limitam como se fossem gaiolas invisíveis. Sabem que a liberdade não mede nem a largura de seus braços. Sabem que a maior parte das leis são banais, absurdas, elaboradas por gente com interesses escusos.

- N-não é verdade minha senhora - disse o rei entre um soluço e outro, tendo a impressão de que algo além do seu poder e conhecimento estava ocorrendo ali. Uma poderosa sensação de que estava diante não de uma mulher velha, mas sim de uma bruxa o invadiu e o dominou. - As leis são elaboradas para criar uma ordem, a qual uma sociedade respeite e edifique-se para que possa deixar novos descendentes. Esses novos cidadãos, desde pequenos, já estarão sendo criados em convivência com as leis em vigor, leis que seus pais obedeciam, tendo assim maior facilidade para assimilá-las. As leis funcionam como limites que estabelecem, por exemplo, uma linha, a qual nenhum individuo poderá passar, pois se assim o fizer não só será responsável pelos seus atos, como também punidos por eles.

- Meu rei, se assim fosse nada mais seria necessário que os dez mandamentos. O surgimento de novas leis só demonstra que não é impondo e punindo que a ordem emergirá e todos passarão a respeitá-la. Se leis funcionam como limites que estabelecem uma linha que nenhum indivíduo poder passar, pois se assim o fizer será responsável pelos seus atos, por outro lado é, pois, mais que um incentivo a não serem respeitadas, por que todo ser, a medida que evolui intelectualmente, rompe com seus próprios limites, e, por que não?,quando se acharem capacitados para tal feito, romper com os limites que lhe fora imposto, uma vez que foram criados - tanto os limites como os homens que os estabeleceram - por outros homens que se acharam capazes ou foram levados a crer que eram capazes de criá-los?

O rei a olhava com um misto de sentimentos enquanto ouvia sua palavras: medo, ora surpresa, ora raiva, ora admiração. Certo era que aquela velha não era uma plebeia e muito menos pertencia a nobreza, pois saberia. Sim!, só poderia ser uma bruxa.

- Cansei-me - ele continuou - meu rei, já nem sei o que digo. Adeus!

- Não! - gritou o rei antes mesmo que a bruxa se virasse. - Espere! Eu estarei de acordo com o seu pedido - seja lá qual for, pensou o rei consigo mesmo.

A velha, que ainda mantinha o capuz sobre a cabeça e o corpo coberto pelo manto negro e maltrapilho, olhou para ele sorrindo maliciosamente a formar em seus lábios um desenho irreconhecível e escarlate, apanhou um pedaço de pau ao chão, cuja forma logo se fez a de um cajado, disse-lhe:

Bem sei que todos nós temos nossas própria necessidades, ainda que sejamos todos iguais na forma física por dentro e por fora, mas não o somos em nossos corações. Há corações que esbanjam maldades, outros tão bons que sofrem até quando os maus são punidos... Portanto, como vossa majestade, estava a caçar, não hei de lhe tirar este prazer, não seria justo... Entretanto, acrescentarei apenas um novo objetivo a ela. Para o qual, estará claro, que não vou ficar atrás da vossa majestade o tempo todo, pois não sou uma caçadora tão exímia quanto a vossa majestade e, por isso, poderei espantar a presa. E, sendo assim se eu proceder, devida a minha irresponsabilidade, serei eu a causa do seu fracasso e, consequentemente, estarei obrigada a deixa-lo livre. Sabem que vossa majestade, de acordo com que já me disse, está livre. Assim passo eu a ser apenas a linha, imaginária, que se assemelha a uma lei que a sua pessoa ousou ultrapassar.

- Saiba, minha cara, que reis estão acima das leis. E até onde eu saiba não desrespeitei nenhuma lei.

- Ah... cruzou os meus domínios, e, estando como estamos, já é razão suficiente para que eu o puna.

- Isso é absurdo. Absurdo!

- Não tanto quanto impor aos seus servos que se curvem diante de sua presença e puní-los se o não fizerem. Não tanto quanto jus primae noctis, que favorece os nobre e envegonha e humilha ainda mais os humildes. Não tanto quanto cobrar impostos de uma forma tão desproporcional a manter as castas sociais de uma forma que não possam ascender a outra de forma alguma. Percebe que certas leis não servem para nada? Percebe que quem está acima delas as poderá infringir como se nunca tivesse feito pate da coisa em si ou agir de maneira inescrupulosa como se a maldade fosse uma bondade às avessas que, às vezes, se mascara quando não que ser descoberta.

O rei a olhava incrédulo. Nunca em toda sua vida havia visto alguém falar daquela maneira com algum soberano, fosse ele, seu pai ou outro qualquer. Ela continuou.

- Suponha que vossa majestade se encontrasse com outro rei. E ele lhe exigisse, estando ele em seu pŕóprio território, que se se curvasse. Sendo vossa majestade como é, provavelmente não o faria, e se o outro monarca fosse tão impiedoso quanto, provavelmente lhe mandaria ao carrasco para que o cortasse a cabeça ou o enforcasse em praça pública. Exatamente como vossa majestade procede em casos similares.

- Absurdo! Absurdo! - protestou o rei. - Entre nós, monarcas e soberanos, existe outro tipo de protocolo! Onde já se viu perder a cabeça por algo similar - comentou o rei indignado.

- Como pode perceber, majestade, certas penas também são incoerentes devido a desproporção quando aplicadas em relação ao ato praticado. Se vossa majestade e os seus precisam de lei para se respeitarem e para conviverem uns com os outros, embora eu seja contra isso, pois respeito e convivência só se adquirem através da experiência e não, nunca, pela imposição, é melhor que todos sem excessao alguma estejam submissos a ela e ninguém acima dela. A igualdade, vossa majestade, deve vir de cima para baixo e não inverso, uma vez que a tendência natural dos seres sejam se espelhar e seguir aqueles que se sobre sobressaem. O povo é reflexo do seu reinado, do que se passa dentro das dependências do palácio. Julgá-los e puní-los por isso é não concordar o que vossa majestade representa e ou pior: não ter consciência deste fato.

O rei há muito havia emudecido. Seus olhos acompanhavam cada movimento de braços e caminhada que a velha bruxa fazia. Da sua parte não tinha mais a dizer, ela que, se quisesse, continuasse a falar.

- Voltemos a questão da caça: o que é que eu terei que caçar? - perguntou o rei ansiosamente.

- Um coração que seja puro, desprovido de todas as maldade. Deve me traze-lo vivo, pois para o que quero, morto não serve.

- O que! Onde é que vou arrumar isso?

A bruxa não respondeu. Os  olhos do rei passearam entre a besta que estava caída aos seus pés e a espada empunhada na cintura. Não possuía armas que pudessem trazer uma presa viva... A não ser que fosse uma bem pequena... Mas o rei sabia que as menores geralmente são mais ágeis e, portanto, mais difíceis de se caçarem.


- Ah, estava quase me esquecendo - disse a bruxa - é óbvio que não terá uma eternidade para fazer o que lhe pedi. Creio que dois dias é mais que suficiente para descobrir se é capaz de realizar a tarefa. Para isso, vou lhe dar esta sacola. Dentro dela você encontrará água e alimento, que lhe serão suficientes por este tempo, e, para provar que não sou injusta, não importa o quanto coma, não lhe faltará alimento e água. Mas só por dois dias. Ao cair da noite do segundo dia, eu virei até você, e requererei da tua mão o que lhe pedi. Se não tiver conseguido deixarei que você veja que a floresta cresce e se torna mais densa cada vez que dela queira escapar.

Dito isto, a velha virou-se lentamente e caminhou pela mata que logo a encobriu. Aflito o rei olhou ao redor, gritou pelo seu séquito, mas ninguém foi capaz de ouvi-lo. Caiu de joelhos no chão e chorou.

- Crueldade, crueldade - resmungava o rei para si mesmo. Após se reestabelecer e limpar as lágrimas agarrou a besta e a sacola e  pensou em partir para procurar o tal coração puro. Mas estava tão cansado que desistiu. Além do mais, pensou, estava escuro, e, à noite, seria uma presa fácil para qualquer animal grande. Procurou gravetos e folhas secas para fazer uma fogueira. Encontrando-os, tratou de limpar o solo ao seu redor para que quando a labareda já estivesse intensa o fogo não se alastrasse e incendiasse toda a floresta. Vestiu suas roupas do avesso e sujou-as da melhor forma que conseguiu, pois, com a aparência maltratada, poderia se passar facilmente por um andarilho e não ser atacado de pronto caso o pegassem de surpresa, vestido como um rei, enquanto dormisse.

Os raios do sol e os cantos dos pássaros acordaram-no. A fogueira se apagara há algumas horas, e vendo que dela não vinha nenhum indício de que isso não fosse verdade, pegou um punhado de cinzas com as mãos e passou-as nas roupas, face e cabelos. Quando supôs que sua aparência nem de longe se parecia com um nobre, procurou um canto para esconder suas armas. Camuflou-as com folhas secas e galhos no alto de uma árvore. Ao descer, marcou a base do tronco, ferindo-o com uma pedra até que dele escorresse a seiva. Sabia que ao secar ela se tornaria mais escura que a madeira da árvore e que só ele saberia o significado daquela marca no tronco. Aprendera isso com seu pai, assim como todo o resto, caso algum dia ficasse perdido na mata e precisasse sair de onde estava para procurar alimento. Entretanto não sabia se daria certo, era a primeira vez que realizava tal gesto, por isso ficou olhando a árvore por um bom tempo de modo que a pudesse localizar caso não funcionasse a estratégia da marca no tronco.

Assim que achou que reconheceria a árvore caso a visse de qualquer outro ângulo, partiu. Caminhou horas a fio e nada encontrou, nem mesmo consolo na beleza que ia contemplando durante a busca. Avistou alguns animais, um esquilo que roubava ovos de um ninho de pássaros, uma raposa passando com a presa em sua boca e só. A noite caiu rapidamente e assim ele acampou outra vez. No outro dia a mesma sorte lhe sorriu: viu os mesmos animais nas mesmas atividades. Concluiu que não conhecia nenhum animal que tivesse o coração puro. Todos matavam, saqueavam, brigavam e matavam-se uns aos outros, assim como os homens. E, enquanto se perdia em suas reflexões, o sol desmaiava lentamente detrás das árvores, e, por entre elas, caminhava em direção ao rei uma conhecida figura trajada de negro.

- Então?

- Nada.

A bruxa o olhou bem dentro dos olhos como se vasculhasse sua alma. Em seguida abriu os braços e atrás dela se formou um longo caminho sem obstáculos algum.

- Vai, meu rei.

Mesmo não entendendo nada sobre o que havia ocorrido, o rei percebeu que estava livre, e isso bastou o suficiente para que o bom rei não ousasse questionar a bruxa.

 ***
 
Muitos anos se passaram desde que o rei retornou da floresta. No início ainda via as coisas da mesma maneira que antes: com olhos de um monarca severo e impiedoso, e por isso, durante um bom tempo, evitou de sair de seu castelo. Entretanto, conforme o tempo discorria, uma estranha dor em seu peito se consolidava. Foram chamados cirurgiões-barbeiros, curandeiros, magos, supostos magos e até entendidos no assunto de todos os lugares para analisarem o rei e chegarem ao mesmo veredito de que não sabiam qual a razão daquela estranha dor no centro de seu peito, visto que externamente o rei apresentava uma saúde inabalável.

Cansado de cercar-se de pedras e pessoas cada vez mais interessadas na sua não saúde, o rei optou por alterar os seus hábitos. A princípio pequenas caminhadas além das muralhas do castelo, com suaves incursões pela floresta. Depois, passou a observar a vida dos camponeses  que moravam além dos muros e os animais que viviam dentro da floresta, muitos dos quais ele caçava outrora... Após um mês, cumprindo o mesmo ritual pela manhã, a primeira ordem do dia foi suspender as caças que não tivessem o propósito de servir de alimento para as famílias mais precárias. Houve indignação por parte dos conselheiros, mas o rei pouco se importou. Ao contemplar o povo que o saudava e lhe sorria assim que souberam da nova ordem, tão contente consigo estava, que nem percebera que a dor em seu peito parecia ter diminuído.

No decorrer dos anos que se passaram a cada mês que se seguia o rei propunha uma nova mudança para seus súditos. Após a primeira ordem que tomara, decidira abrir os cofres do castelo e com os impostos recebidos e acumulados melhorar a vida das pessoas que moravam nos arredores do castelo. Enquanto o rei vislumbrava em pensamentos colheitas mais férteis e comércio mais próspero, seus conselheiros, coxixando pelos cantos dos grandes salões do castelo, diziam que o rei enlouquecera de vez e que tudo começara após aquela malfadada caçada na floresta, na qual o rei se perdera e fora encontrado desmaiado perto de uma clareira, estranhamente vestido e sem suas armas... E, muito embora, o rei soubesse do que se passava às suas costas, nunca disse nada sobre o ocorrido na floresta, pois se o fizesse, tinha certeza de que pensariam que ele realmente havia enlouquecido.

Um de seus conselheiros, mais preocupado com a questão de quem herdaria o trono assim que o rei falecesse, propôs-lhe, sutilmente, que arranjasse uma rainha. O rei respondeu para que não se preocupasse, pois, caso não deixasse nenhum herdeiro, havia concebido uma maneira de colocar um sucessor, mesmo que não tivesse sangue real. O conselheiro ficou estarrecido com o que acabara de ouvir, mas assim que a idéia de que ele poderia ser um provável candidato, fez com que apoiasse o rei em todos os seus atos, por mais estranho que ainda os achasse.

Certa noite, enquanto dormia, o rei sonhou que estava dormindo e dentro do sonho que sonhava ele acordou e percebeu que seus sonhos estavam molhados. Zeloso pelos seus sonhos, que gotejavam, lentamente, gota após gota, correu e os colocou para secar. Feito isso, foi caçar; próximo a uma lagoa, não muito longe de seu castelo, mas infinitamente distante dele, pois na realidade não existia lagoas próximas ao castelo, o rei encontrou um bando de aves exóticas, em verdade eram seis, lembraria-se no dia seguinte. 

Eram aves que nunca havia visto em canto algum, grandes, com pescoços longos e curvados como um gancho invertido. Aves belas, de uma plumagem ou pena - o rei não sabia - negra e brilhante à altura da cabeça, descendo pelo pescoço e indo terminar onde começava o restante do corpo, cuja a cor era de um branco imaculado que refletia beleza quando exposta a luz. E como nunca havia visto nada igual não saberia descrever também a gostosa sensação de paz que banhara o seu coração de nem o inefável sentimento de conforto ao ver aquelas aves deslizando sobre o espelho d'água da lagoa...

Como se estivesse ali desde sempre, um dos homens de seu séquito estendeu-lhe a besta, armada e pronta para abater uma das aves. O rei a pegou, mirou, mas  exitou antes de apertar o dispositivo que acionaria a arma. Olhou ao seu redor e não viu nenhum componente de seu séquito, como naquela mesma noite em que se perdera e encontrara aquela estranha mulher. Voltou-se novamente para as aves e mirou. E quando estava para acionar o gatilho, olhou nos olhos escuros de uma das aves e de pronto percebeu que ela lhe devolvia um olhar sereno e pedinte... Então o rei caiu de joelhos e chorou. Quando ergueu a cabeça, o rei contemplou, com certa agonia,  seus companheiros de caça rindo e apontando para ele como se ele fosse uma figura indigna de respeito para os outros.

E, em meio aos risos e dedos crispados, uma densa névoa escura se formou e dissipou aqueles arremedos de pessoas que eram como se nada fossem. Restara apenas a floresta, o rei e as aves que pareciam, agora, estarem se aproximando do rei, que ainda estava caído de joelhos quase sobre a arma, que por alguma razão ele nunca entendera o motivo dela não ter se dissipado junto com a névoa. Seguindo uma formação estranha, contudo bela, as aves continuavam a se aproximar do rei, ficando mais próximas deles mesmas a medida que mais próximas estava do rei. Este as olhava, cheio de comoção e de amor, e em meio a escuridão que se formou após a névoa, seus olhos brilhavam e iluminavam tudo que estava em sua direção. Isso fez com que percebesse que nelas havia uma pequena mancha vermelha na fronte. A aves pararam diante do rei e começaram a se unir de tal mudo que se fundissem umas nas outras e tomassem o aspecto de uma mulher coberta por um manto negro que se formara do negro dos pescoços das aves a cobrir-lhe o corpo que também se transformara e se ocultara sob o manto.

- Meu rei - disse uma voz rouca e melancólica - a segunda noite caiu. Vim buscar o que é meu e vejo que não o encontro.

- De tudo que vi, pensei que dentre aquelas aves pelo menos uma delas possuía um coração puro, mas não sei o por qual motivo não as consegui pegar. Falhei, minha senhora, falhei... Faça o que deve ser feito.

A bruxa retirou o capuz do manto que lhe cobria a face. O rei mudo e pasmo, mais em sonho que na vida real, contemplou uma bela jovem dotada de uma vasta cabeleira ruiva, de pele alva e macia salpicada com pequenas sardas. Boquiaberto, o rei contemplava aquela beleza demasiada para um coração velho e cansado como o dele. Olhou-a nos olhos e reconheceu aquele mesmo olhar manso e pedinte que havia visto em uma das aves.

Ela o segurou pelo queixo e suavemente beijou-lhe os lábios Um beijo quente e ardente e suavemente úmido que fez com que o rei estremecesse. Um vento forte agitou as árvores, os galhos das árvores, as folhas das árvores, os ninhos que neles estavam e quem sabe o que mais poderia haver. Então ela s afastou.

- Por quê? - Quis saber o rei.

- Seu coração: você o encontrou, quando escolheu morrer a matar indiscriminadamente ou a satisfazer uma ordem sem fundamento. Se tivesse optado por capturar um dos cisnes, ficaria preso aqui até que viesse a padecer. Saiba que qualquer animal tem o coração puro, pois não agem, ainda que matem, ainda que furtem, por maldade, mas sim pela necessidade primária que a razão lhes concebe: sobrevivência. Entende?

- Tentarei.

- Espero que sim, pois você abriu mão de sua vida em prol deles. Preciso ir embora antes que você acorde e eu fique presa em sua mente até que sonhe comigo novamente.

- Não vá - disse o rei enquanto se levantava. - Não queria que você fosse...

- Preciso ir embora. Mas nos veremos novamente.

- Promete?

- Pessoas como eu não prometem nem juram. Apenas dizem e cumprem com suas palavras... Adeus.

- Adeus...

O rei faleceu uma semana após o sonho. Contam que na manhã em que foram acordá-lo para que pudesse dar o seu habitual passeio matutino, seu corpo estava frio como a neve que não se derrete das montanhas mais altas. Mas o que mais espantou os que viram e os que depois ficaram sabendo, foi o sorriso que havia em seu rosto naquela manhã.

Dias seguintes ao enterro um jovem casal de camponeses, que se encontrava às ocultas de seus pais, avistou um outro casal de jovens correndo nus pela floresta. E como ninguém poderia saber que eles estavam se encontrando, nunca mencionaram que tinham visto um jovem de pele bronzeada e longos cabelos negros ao lado de uma jovem branca e ruiva.



Primavera de 1997 - Outono de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Sem Luz de Luar




Findara-se a Tarde
Trajando carmim,
Despindo-se em púrpura
Nas sombras de um véu
Sem luz de luar.

Assim, negra a Noite,
Ergueu-se serena
Vestida de estrelas,
Bailando suave
Virando Manhã.

E em seu desvario
Desprendeu-se cálida
Do cinza marinho
Abrindo-se nú,
Plenamente, Dia.


15-17/04/2013

domingo, 7 de abril de 2013

Não tem Jeito...



Não tem jeito:
O que não é para ser,
Não o é e pronto!

- Maldito seja o coração!
Que não para! Que não morre!
Que simplesmente não explode!

- Facilita! (Desgraçado...)
Não vês que já estou morto?!
(Só não fui enterrado...)

sábado, 6 de abril de 2013

Desencontro



Um dia deparei-me com a Felicidade
Ou teria sido o inverso? Não me lembro...
Mostrou-se-me como um punhado de grãos de areia.
Escapou-me por entre os dedos antes que me desse por ela...
Deixou-se levar pelo vento e perdeu-se no espaço.
Durou tão pouco que nem sei se foi real...

Fosse o que fosse
O meu desejo seria outro
E também não poderia ser meu...


10/08/2012

quinta-feira, 4 de abril de 2013

sábado, 30 de março de 2013

ainda


ainda que possa,
ainda que queira,
ainda que faça
de qualquer maneira...

ainda que nossa,
ainda matreira,

ainda que...
ainda...
ainda!

quarta-feira, 27 de março de 2013

jardim

morreu o que havia entre nós
como padecem as flores...

havia um querer adubar
mas morreu o que havia entre nós
como padecem as flores...

cuidar de pétalas e caules
mas morreu o que havia entre nós
como padecem as flores...

olhar todos os dias você crescer
mas morreu o que havia entre nós
como padecem as flores...

você, como flor, padeceu...
e eu fiquei!

quinta-feira, 14 de março de 2013

calor


queima-me o tempo
queima-me a hora

e o meu peito explode
entre fragmentos...

estou me transformando em nada
estou fazendo parte de tudo...

um redemoinho
uma tormenta
uma paixão
um amor

e o meu peito explode
entre fragmentos...

Somente o tempo


como pode o tempo
nos dizer o que é melhor
quando o melhor
não é o tempo quem nos diz?

como pode o tempo
nos querer ensinar
que aprender é melhor
quando o tempo não aprende?

talvez seja a hora
a hora de viver...
a hora de viver
sobre o tempo...

talvez seja hora de o tempo
aprender que o tempo
ao tempo, em tempo,
nada ensina ao tempo...

Mas o tempo,
ao tempo, em tempo,
tudo apaga...
fico me perguntando o quanto existe de verdade em paixão ou amor.
é realmente preciso conhecer alguém para amá-la? há necessidade carnal para paixão, ou, em raros casos existe um alinhamento para amor a primeira vista? ou isso é balela que mulher gosta de assistir no cinema?

como vou saber,
se suas inseguranças se tornam as minhas?

como posso crer,
se suas duvidas são as minhas?

como posso ver,...
se estamos cegos um para o outro?

se o que digo não lhe alcança
e como quero que lhe alcance
eu quero que lhe alcance
quero que lhe alcance
além e além...

Empurrando

Às vezes não quero voltar para casa;
Quero passar batido pelo portão...
Não girar a chave e entrar. Não comprimentar.
Não tomar banho nem jantar...
Não ligar a tv e nem ajustar o despertador...
Apenas uma vontade se seguir rumo ao indefinido...

talvez...



talvez haja chuva e a mesma lave minhas tristezas...
talvez haja raios... e eu goste de raios!
talvez eu goste quando os ventos atingem direções diversas...
talvez eu goste quando o caos se impõe nessas ocasiões...
talvez, e, somente talvez, eu me veja controlando a tempestade...
e me pergunte, talvez, pelo que ainda vale a pena lutar?

segunda-feira, 11 de março de 2013

Como Se Explica

T.F.P.

Eu não tinha ideia do quanto alguma coisa pode ser tão forte até que a possibilidade de existência se perde no vácuo.

Uma dose de covardia, uma dose de medo, e três de timidez... talvez seja disso que sou feito. Sou um drink de possibilidades impossíveis...

Tentei de todas as formas possíveis uma aproximação normal e humana, mas em todas elas eu travei... De repente nada falava que não responder seus "ois" ou "olas"; de repente uma força maior que a minha me atraia e me repelia... Algo que nem eu sei compreender...

Queria poder conversar com você como gente normal... Convidá-la para sair, assistir um cinema e quem sabe arriscar um beijo. Já fiz isso tantas vezes... E todas tão simples... Mas quando olho para você sinto um bloqueio que me é desconhecido... E simplesmente travo.

Eu tento!, tento!, tento!, te dar oi. Pelo menos penso em fazê-lo... mas a boca simplesmente não transmite. E me magoo por isso... E, quando você tenta puxar uma conversa, eu falo coisas desconexas... Como da vez da nota de vinte... Estou tentando entender onde esta meu coração neste momento... Se é contra ou a favor... e nem o encontro.

Durante o trabalho tento explicar a dinamica entre equipes e de repente você passa e leva tudo que tenho em mente consigo... e eu gaguejo. E fico pensando: que diabos você tem que faz isso comigo?

Gosto de olhar para você discretamente, olhar você rezar antes de comer... e comer com gosto. Gosto de ouvir você brigar com as pessoas... infelizmente eu ouço muito bem... bem demais até....

Uma vez apostei que você era de Virgem... tenho quase certeza de que ganhei a aposta... Às vezes consigo ouví-la de lá de dentro do áquario em que fico... uma voz diferente das demais, quase uma nota musical que ninguém mais além de mim ouve...

As rosas não foram pelo pagamento, nunca foram... Mas como você tentar explicar em gestos ou palavras tanta confusão sentimental? Nunca senti isso... E o que mais me assusta, é assustar você! Afinal, como explicar o que sinto, quando nem sei o que sinto para poder explicar? Queria sentar e explicar tantas coisas... Mas as palavras escorrem da minhã mão...Queria explicar que o que sinto está alem de mim, queria dizer tantas coisas que eu mesmo nem compreendo... Como de repente acordar pensando em você. Acho que agora entendo realmente o que é o vício...

Sei que não sou o mais belo nem o mais perfeito dos homens, mas me pego cuidando de suas colicas... pensando em coisas que não vivemos e talvez nem viveriamos juntos... e me perguntando, porque você?

Eu queria ter forças para dizer tudo isso pessoalmente... Ah, acredite, queria muito... mas, no fundo, no fundo, quantas vezes consegui olhar você nos olhos?

Eu não posso prometer muitas coisas, tudo o que tenho é o que sinto... e o que sinto nesse momento eu, juro, quero muito que você aceite...







domingo, 10 de fevereiro de 2013

Sempre em Frente





Não tenho sonhos.
Não faço planos futuros.
Não alimento expectativas.
Vivo um dia de cada vez
E cada dia como se fosse o último...
Porque um dia será.


Janeiro 2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

Man at Work



No momento estou muito ocupado.

Assim que possível atualizarei o blog.
Aproveitem para ler e comentar as postagens antigas.
Abraços,


eder de sousa boaventura